Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

TRATADO DAS PEQUENÍSSIMAS TRAGÉDIAS E JÚBILOS

 

 

 

 

Imaginem que o vosso corpo, de repente, se transforma numa massa de… de  P.V.C.! Não que  não andasse, há uns dias, a dar os seus sinais… ele era o endurecimento das articulações, ele era a falta de destreza e a dificuldade em andar, ele era a lentidão e os desequilíbrios… enfim, nada  que não estivéssemos já habituados a aturar, de tempos a tempos. Mas, naquele dia, era puro P.V.C.! Ficou assim, rijo e sem préstimo, entre a hora do almoço e as 16.30h.

Ainda se davam uns passos, claro está, mas não havia fluidez nem harmonia. Eram passos arrancados do fundo da alma e da força de vontade como se a fisiologia se tivesse demitido das suas funções habituais. Conseguem, mesmo, imaginar? Pois é exactamente assim que me estou a sentir. Vai dando para teclar, mas até falar me custa… se não soubesse que isto é, muito provavelmente, uma estranhíssima somatização, juraria que estava com Botulismo, apanhado naquele frasquinho de doce de abóbora que devorei, inteirinho, há uns dias. Bem… para ser Botulismo ainda me faltam as alucinações. Nada. Nem a luz me parece mais brilhante do que o habitual…

De uma coisa estou mais do que segura; se fizesse, agora, um Ionograma, os valores viriam completamente desequilibrados e deficitários. Mas por que razão é que o meu organismo se “esquece” de metabolizar convenientemente os iões de que necessita? Ferrugem? Há tanta gente na casa dos 80 que ainda não tem esse problema e eu, caramba!, ainda estou na dos 50. Nada que assuste ninguém, digo eu… mas a verdade é que o raio do meu organismo sempre foi muito distónico nesta coisa da recolha e colocação dos iões de cálcio, potássio, cloro e magnésio nos sítios onde eles são, efectivamente, necessários. Porcaria de organismo este!

Em compensação, faço sonetos… já não é mau de todo. Enquanto os estou a fazer, nem me lembro de que me custa a andar, de que estou com cãibras, de que me falha a destreza manual… não se pode ter tudo e, se me dessem a escolher entre o conforto físico e a Poesia, eu escolheria esta última. Não vou dizer que fosse uma escolha fácil. Nada disso! A Biologia tem uma força inimaginável e eu teria as minhas hesitações mais do que legítimas. Mas acabaria por escolher a Poesia. Poeta pode sobreviver à miséria, à doença, ao desconforto… pode sobreviver a tudo, tudo… menos à falta de inspiração.

Poeta é Poeta!

 


Maria João Brito de Sousa – 10.12.2010 – 18.34h

sinto-me:
publicado por poetaporkedeusker às 10:47
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12 comentários:
De a 13 de Dezembro de 2010 às 12:22
. Pois. Espero que hoje esteja melhorzinha e que a tarde de ontem não tenha sido prejudicial.
Beijinhos
De poetaporkedeusker a 13 de Dezembro de 2010 às 12:35
Olá, Fá! A tarde foi muito boa e aquele cafézinho é puro néctar! Eu escrevi isto ainda na sexta feira... hoje estou um bocadinho menos "emperrada"... mas é tudo muito pouco e eu tenho muito que fazer... fico zangada comigo! Mal deu para tratar só dos animais... e descer a escada com o Kico ao colo?! Acho que, agora, estou ainda pior do que ele...
Bjo e obrigada! Aquele sítio é um pequeno paraíso!
De Isabel Maia Jácome a 13 de Dezembro de 2010 às 12:56
Querida Maria João
Gostei de ler...
...já viu a quantidade do que produz, Poeta?
Não quero que lhe sirva de consolo a desgraça alheia. Basta a sua.
Mas e se lhe disser que nestas minhas "crises" já cheguei e estar de fralda?
Mª João... sei o que custa a limitação física. Tenho 51 anos, uma vontade e prazer enormes de viver. Tenho ainda muito que gostaria de mudar e fazer. Adoro escrever e já sonhei ser poeta... custa não ser.
Mas a vida anda para a frente. Fecha-se hoje uma porta, abre-se uma janela...
...já viu a capacidade interventiva que tem? Já viu o que pode fazer escrevendo?
Palavra que sei também o que é estar desanimada. Mas vale a pena? Ou enterra-nos mais e mais... afunda esta nossa vontade e desejo de procura, cada um à sua maneira, de dar o que tem e que a tantos faz falta e que muitos desejariam e não conseguem?
O problema muitas bezes está na frustração face às nossas exigências, ao nosso perfeccionismo, à nossa necessidade de reconhecimento... por nós próprios! ou precisamente por aqueles que nos parecem mais inacessíveis!... e somatizamos, sim. Não falo por mim. Falo pelo que conheço dos homens, do ser-se humano.
Há um livro do "nosso tempo"... Escuta Zé Ninguém do Wilhem Reich. Já deve ter lido... mas não o quer espreitar outra vez?
...desculpe. Não sei se tenho o direito de estar para aqui e tentar conselhos.
Gostava de poder estar perto de si, dar-lhe a mão, ohá-la nos olhos e, sem querer ser invasiva, transmitir-lhe a força enorme que tem. Não! Não seria a olhar para mim... sim ajudá-la a olhar para si!
É uma pessoa linda, do que conheço... a sofrer... é certo...mas...
...por favor...é uma mulher espantosa!
Diga! Solte! Escreva poesia, sonetos ou não, compulsiva, sim. Que se lixe!
Mª João: Gosto de si e sei que vai encontrar a força que tem!
Um abraço, de alma
... e desculpe esta franqueza e esta vontade de a olhar nos olhos e pedir-lhe cinceramente que olhe para si... e em seu redor. Tem muita gente que gosta de si... e precisamos quem continue a "dizer" do sentir, seja como fôr.
Beijo
Força
Isabel
De poetaporkedeusker a 13 de Dezembro de 2010 às 15:17
:) Isabel, nem sei o que lhe diga... também escreve muitíssimo bem e tem uma excelente capacidade de análise e síntese. Quanto à fralda... olhe, andei com ela desde os quarenta e muito pouco... agora, de há uns dois ou três anos a esta data é que tenho conseguido não a utilizar. Faço imensa ginástica, com os músculos associados à micção e lá consegui recuperar alguma coisa... só a uso quando estou em crise e se tenho dinheiro para as comprar.
Ainda não li o Escuta Zé Ninguém. Tenho quase a certeza de o não ter lido ou lembrar-me-ia... mas eu não estou desistente. Os poemas não me nasceram, é só. Eu não os elaboro nem os procuro... costumo dizer que me nascem de uma "alquimia" qualquer que ainda não sei definir muito bem. Depois dou-lhes uns "toquezinhos" mas os melhores nascem assim, de corpo inteiro, de qualquer coisa em que estou a pensar e depois se transforma, ora em soneto, ora em redondilhas, ora em rima livre, como no Liberdades Poéticas. Quando estou a pensar nem tenho consciência do que irá acontecer depois. É sempre de alguma coisa que me toca profundamente mas não tem de acontecer, necessariamente, comigo... tenho é de me sentir liberta e estar emocionalmente disponível. Se estiver muito preocupada com pequenas - ou grandes -coisas, não me nasce nada.
Quanto ao andar, já recuperei um bocadinho... já não estou naquele estado lastimoso, embora esteja ainda muiiiiiiiiito lenta. E ainda um bocadinho desequilibrada. Por exemplo, se me quero desviar de alguém, sou capaz de não o conseguir a tempo de evitar uma pequena colisão...não tenho força física nenhuma! Tenho de empregar toda a minha força para abrir uma simples porta ou janela... imagine eu a ter de descer a escada com o Kico... o que vale é que me vou rindo de mim mesma e da fraca figura que faço! Mas subir e descer com o cãozito que tem 7,5kgs, já me custa e muito. Mas eu sei que isto vai e vem... daqui por uns tempos já não custa tanto.
Desculpá-la por uma franqueza? Mas eu adoro pessoas assim! Por muito que seja tolerante, não consigo evitar sentir-me desconfortável quando as pessoas não são francas... aquilo que eu não consigo MESMO aturar são as grandes discussões, com uma carga grande de hostilidade... é escusado. Não tenho medo, mas não tolero e não tem a ver com preconceitos... é uma coisa mesmo muito física. Não sei se a tensão sobe ou desce, só sei que deixo mesmo de funcionar. Num destes dias vi-me obrigada a desligar a televisão num debate em que os oradores deixaram escapar alguma dose de hostilidade. Tudo verbal. Não houve murros :)) nem nada que se parecesse... mas uma coisa é a discussão e outra é a hostilidade. E sinto-a.Acho que sou alérgica a isso :))
Ai, estes nossos comentários!
Beijinho!
De M.Luísa Adães a 13 de Dezembro de 2010 às 14:42
Bravo poeta! Bem explicito o que se passa.
Repara nesse comments que te fazem.
Muito bom!...

Há poetas mais esquecidos
Menos compreendidos
com menos amigos
ou nenhuns amigos...

Tu não estás nessa faixa!

Sabes, a minha saúde também é muito frágil e gostaria de estar na casa dos 50, mas estou a afastar-me muito rápido. Demasiado rápido para meu contento.

Cada um tem o seu destino e me parece que os poetas
não têm longas vidas e o dom que lhes foi dado é
cobrado e não dá felicidade.
Os dons custam muito caros...
Saber aplicá-los é uma benesse a agradecer!
Mas não é fácil! Nada é fácil...

Vais melhorar, eu sei, a idade está a teu favor.
E vais continuar num navio a afundar, mas que não afunda, chega a um areal da cor do mel e do leite,
como a Terra Prometida e se repara a si próprio e depois...continua a navegar em águas calmas, azuis,
brilhantes, cantantes da cor do dia.

Vence as tormentas
Passa o cabo do medo
e se levanta sempre,
pois vai cumprir o seu destino!

Acredita, eu sou uma espécie de vidente!...

Vais sobreviver, uma vez mais e continuar, pois tua
tarefa não terminou e é demorada!

Um abraço do Brasil,

Maria luísa
De poetaporkedeusker a 13 de Dezembro de 2010 às 15:39
Minha querida Maria Luísa, eu quero acreditar, mas eu sei bem quão caro se pagam estes dons... se é que o meu é assim tão forte. Sei que o tenho, mas acho sempre que deveria fazer melhor... que deveria trabalhar mais ainda. Às vezes sinto que deixei escapar um ou outro poema... a memória já não consegue retê-lo e eu sinto-o a escapar-se-me por entre os dedos do meu imaginário. Sinto-me sempre triste quando perco um poema e isso vai-me acontecendo com muita frequência.
Amiga, a idade já não está a meu favor... ainda estou na casa dos 50, mas já são 58... e uma vida cheia de grandes problemas físicos e não só... eu aguento-me enquanto Deus quiser, mas estou desejosa de que me passe esta crise em que mais pareço uma palerminha que está a aprender a andar... levo horas e horas só para tratar dos meus amigos animais... já não sei se é o Kico ou eu, quem está pior...
Um grande abraço para esse enorme Brasil irmão e para ti!
De M.Luísa Adães a 15 de Dezembro de 2010 às 14:55
Li tua resposta e fiz afirmacões desconexas.
Mas disse verdades, segundo o meu conceito de verdade.

Eu não sei que dizer, nem que fazer!

Vou morrer?
Vou, um dia, não sei se próximo se distante -
e essa incerteza me domina.

Crio personagens infelizes que deveriam ser felizes.

Todos pensam que sou eu ou a minha vida, mas não sou- não sou como digo- represento um papel, ora
alegre, ou triste, ou nada. Represento!

Tenho o meu Teatro
Tenho o meu guião
Tenho algum dom (isso eu tenho)
Tenho amigos visiveis e invisiveis!

Vivo várias vidas
Várias idades
Vários estados fisicos ou psiquicos,
Mas ainda não me apresentei no palco
Tal como sou - a verdadeira, a única.

Sofro e sei porque sofro
Não aceito tantas coisas
e deveria aceitar
tenho medo do que penso
e não deveria ter - mas tenho!

E vou morrer sem saber quem sou
Sem poder gritar ao mundo,
Esta eu Sou! Melhor do que pensam
pois não podem entender o que sou...
Talvez por não ser nada
"e só eu" desconhecer essa verdade.

Gostava de viver,
mas não aprendi a viver,
como vou fazer?

Nada é verdade, mas eu digo verdades!
Se eu não entendo...
nem me respondas, mas
Vive, melhora e esquece
Pessoas Como Eu!

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 15 de Dezembro de 2010 às 16:05
Nunca esqueço "pessoas" de forma consciente, Maria Luísa.
Esqueço muitas coisas que ficam tão esquecidas que nem sei dizer se ou porque as esqueci... :)
Por vezes diluo-me nos sentimentos de outras pessoas ou de outros seres vivos, em geral, mas volto a mim sempre que assim o entendo e também falo a minha verdade. Estás a "viver" Pessoa, neste momento? Ora... ele afirmava a pés juntos que "via", "ouvia" e "sentia" os seus heterónimos, que essa era a verdade... riquíssima, mas muito desgastante, a vida de Pessoa.
Um homem que viveu e morreu relativamente pobre e que, hoje, dá de comer a 200.000 outras pessoas... e isto, penso que é mesmo verdade...
Um enorme abraço para ti e para todas essas pessoas que, agora, representas.
De M.Luísa Adães a 15 de Dezembro de 2010 às 19:18
Sempre vivi Pessoa!

Só agora entendeste?

Eu nada sei, mas represento outros que tudo sabem
...sempre representei!

Um abraço,

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 16 de Dezembro de 2010 às 11:13
Não, não foi só agora. Sempre me pareceu que assim era, mas - penso que também deves ter entendido isso - eu trato as pessoas - ou os blogs - segundo os personagens que elas/eles representam ou fazem representar. Mostro-me sempre disponível para que se revelem a elas mesmas, mas aceito todos os personagens e estimo-os, ou não, como se me apresentam. É uma forma de estar na blogosfera como outra qualquer, mas talvez seja a mais produtiva, a menos "desassossegada" :) Pessoa nunca me desassossegou pessoalmente. Ele, em Caeiro, sempre me deslumbrou. Muito mais do que nos outros criptónimos.
Agora dirijo-me a ti, Maria Luísa, engripada ou não:) ;
Estás melhor? E porque insinuaste que me afastasse de ti, Pessoa? Pareço-te uma poeta obediente? Olha que não o sou... :))
Vou deixar um soneto no poetaporkedeusker. Tem dois dias de idade, mas parece ter sido criado para esta tua pequena revelação.
Abraço grande!
De M.Luísa Adães a 18 de Dezembro de 2010 às 13:18
Venho desejar NATAL FELIZ

e desejar também e acima de tudo, SAÚDE!


Beijos,

Maria Luísa
De poetaporkedeusker a 20 de Dezembro de 2010 às 14:50
Um enorme abraço e muita saúde para ti, também, Maria Luísa. Que tenhas um Natal muito feliz. O meu não o vai ser... pelo menos não vou ter muita alegria porque continuo com dores na coluna, dificuldades na locomoção, outras coisas pelas quais sempre optei não falar e, ainda por cima, o menos velho dos meus velhos gatos, o Beethoven, está a morrer. Pelo que vou conhecendo sobre gatos - e é muito mais do que a maioria das pessoas - calculo que vá morrer mesmo no Natal. Está hipotérmico, hipotónico e hipo-reactivo à luz e a todos os estímulos... está a "apagar-se" lentamente como uma vela... já esteve ontem no hospital veterinário e tem os valores de ureia, glicose e creatinina ligeiramente alterados, mas perfeitamente normais para um gato idoso que está sem comer durante mais de 24 horas. Não sei como vou ficar depois disto... hoje ainda trago material para publicação, mas têm sido, mais uma vez, muitas coisas dolorosas num curto período de tempo e eu, mesmo sendo de ferro, estou a enferrujar... física e, às vezes, psicologicamente.
Abraço!

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