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http://contra-sensual.blogs.sapo.pt

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10
Jan11

PLEASE, DO FEED THE TROLLS! :)


Maria João Brito de Sousa

 

Há três aos que navego, incansavelmente, na blogosfera e se é certo que a minha principal motivação sempre foi a criação de sonetos formalmente clássicos, não será menos certo que acabei por encontrar, nestas minhas viagens poéticas, alguns elementos de uma fauna que abunda neste espaço; os Trolls.

Os meus ocasionais encontros com esta curiosa forma de vida, nem sempre foram pacíficos, sobretudo nos primeiros tempos de navegação mas, por estranho que possa parecer, acabou por se revelar muito produtivo em termos de criatividade pessoal e é por isso que me sinto na obrigação de, num súbito rasgo de solidariedade, escrever algumas linhas sobre os hábitos de vida desta curiosa e incompreendida fauna.


Encontramo-los de todos os sexos, idades e tamanhos, não sendo rara a emergência de um ou outro mutante hermafrodita.

De quando em quando, surge um exemplar que até sabe escrever  Português, sendo que se torna muito difícil de detectar, podendo passar, facilmente, por um comentador comun, atendendo ao extraordinário mimetismo de que estes indivíduos são dotados, sendo passível de ocasionar, a longo prazo, infecções crónicas que podem pôr em risco todo o trabalho do blogger.

Também os podemos encontrar inseridos em todas as classes sociais e não será de estranhar vê-los emergir da aristocracia e - pasme-se! – infestando, até, os meios intelectuais.

Têm, como característica comum, um mesmo espírito moralista primário e estado-novista que, no entanto, lhes dá um certo encanto de “bibelot-art-deco” e lhes oferece características de eleição para quem gosta de ter qualquer coisinha a enfeitar o frigorífico.*

Alguns exemplares desenvolvem uma razoável  capacidade organizacional e atacam em grupo, sendo que a esmagadora maioria o faz individualmente, de forma francamente desadequada e ineficaz na eclosão de afecções graves, capazes de fazer perigar a vida do hospedeiro, não se justificando a baixa laboral aquando da confirmação de infestação por este particular tipo de agentes. Um comprimido de Paracetamol, administrado a intervalos de oito horas, será mais do que suficiente para aliviar o mal estar sintomático.

Os Trolls reproduzem-se em qualquer meio – mesmo os mais hostis – mas manter as sanitas bem desinfectadas tem-se mostrado muito eficaz no controlo de estirpes particularmente virulentas.

Foram encontradas, nos serviços públicos, colónias isoladas que desenvolveram resistências ao Insulto Sódico, mesmo quando administrado por via endovenosa, mas, "in vitro", todas as culturas se mostraram altamente sensíveis à Ironia de Terceira Geração.

 

 


*É recomendável que se conservem os exemplares envoltos em película aderente para evitar as manchas de sujidade sobre as superfícies, que habitualmente advêm da sua natural viscosidade.

 


Maria João Brito de Sousa – Janeiro 2011

04
Jan11

PARA AS CRIANÇAS DA MINHA VIDA... E NÃO SÓ...


Maria João Brito de Sousa

 

Encontrei, por acaso, esta crónica – ou o que resta dela – de Maria Rosa Colaço, publicada no jornal “A Capital” em 1994.

Gosto muito deste tempero tão especial com que os acasos me têm brindado quando quero MESMO escrever sobre qualquer coisa em que acredito muito e, portanto, defendo e defenderei incondicionalmente. Sabia que teria o artigo algures, no meio de toneladas – ou resmas – de artigos, fotografias, desenhos e originais de poemas manuscritos… o que eu nunca pensei foi conseguir dar com ele, assim, numa primeira tentativa, como se a divina providência tivesse feito questão de me emprestar uma mãozinha, já que as minhas estão demasiado lentas e indecisas.

Fui ao circo uma única vez em toda a minha infância e doí-me. Doí-me o suficiente para começar a pensar, por essa altura, exactamente da mesma forma que penso e sinto agora, aos cinquenta e oito anos, em relação aos animais selvagens que são forçados, pela mão do animal humano, a viver e a agir contra a sua natureza.


“Que superioridade haverá num homem que, à força de chicote, consegue que um elefante se ponha de pé, se sente num tambor, ou que um tigre atravesse um arco em chamas?

Esta vocação de imperadores romanos que todos, ou quase, alimentam nas profundezas das suas fantasias, preocupa-me bastante. Sobretudo pela forma como se generalizou chamar-se de divertimento levar os filhos ao circo. As crianças habituaram-se, assim, à festa da carnificina disfarçada de lantejoulas, à violência disfarçada de prazer e maravilha. Seres que são o que resta de uma liberdade inicial e pura, quando a Terra havia lugar para a ordem natural das coisas e a harmonia era por isso possível, são ofendidos de toda a maneira: ou mortos, ou violentados para alimentar a ganância do homem, sempre o homem nas suas perversões várias e mal resolvidas; ou metidos em jaulas com redes, morrendo lentamente de solidão, de tristeza.”… … …”A morte deste animal, a dignidade, foi uma coisa que não esquecerei tão cedo. Morreu livre! Longe dos néones, dos chicotes, das jaulas, da comida a conta-gotas. A esta hora está no fundo mais fundo de uma selva verde, rodeado dos pais e irmãos que outros caçadores, loucos também, assassinaram para lhes roubar as presas e fazer ridículas pulseiras de marfim, colares primitivos ou exibir nas salas coloniais entre peles de tigres embalsamados, cabeças de javali e gazelas de olhos húmidos.

A esta hora, o meu elefante cujo nome não cheguei a ouvir mas que poderá chamar-se “Liberdade”, é um animal livre. E intocável.

Deixou-nos um  grande aviso: nunca nos fiemos na passividade dos oprimidos, na obediência dos que, pensam, se podem domesticar, porque há sempre o dia da consciência colectiva, das decisões, das memórias acumuladas. E, como também diz o poeta:

Não há machado que corte a raiz ao pensamento.

Mataram um elefante que se cansou de ser domesticado.

Desfolho, na tarde, uma flor de ibisco sobre esta história de Agosto. 1994.


Maria Rosa Colaço"

 


Quando iniciei este post, propunha-me escrever mais, muito mais do que os três primeiros parágrafos que são, efectivamente de minha autoria…propunha-me, mas não tinha ainda relido esta crónica. Agora reli-a, transcrevi alguns parágrafos e só posso dizer que se de alguma coisa me podem acusar as crianças que foram minhas e as que comigo lidaram, não será, decerto, de estimular o desenvolvimento da tal costelazinha de imperador romano de polegar indeciso, oscilando entre dar ou tirar a liberdade de uma vida, que, sem dúvida, continua a fazer-se sentir na maioria dos seres humanos. Ah, não! De especista e manipuladora  ninguém me poderá acusar! É ou não é verdade, crianças da minha vida?

 

 


Maria João Brito de Sousa

03
Jan11

CRONICAZINHA DE UMA PASSAGEM DE ANO - 2010/2011


Maria João Brito de Sousa

Gostaria de poder dizer-vos que sou uma mulher infeliz porque o meu elevador se avariou nesta noite de passagem de ano. Talvez me acreditassem e ficassem solidários com o facto de eu não conseguir descer e subir os quatro andares com o Kico ao colo, a coluna avariada e o rim que me não pára de massacrar. Talvez… mas a verdade é que a minha ideia de felicidade se não prende com esse tipo de coisas e se não esgota nos azares do momento. Em compensação, posso perfeitamente afirmar que sou, mais uma vez, uma “mulher-feliz-lixada”. Muito feliz e muito lixada, apesar de ter jantado uma latinha de atum com arroz cozido – um luxo só para os dias especiais… - e duas rabanadazinhas do Pingo Doce que me custaram 1.50 euros. O que me custou mesmo muito, muito mais, foi subir os quatro andares com a cólica renal… mas isso, agora, não interessa para nada porque, ainda que o meu percurso de vida terminasse hoje mesmo, teria sido uma mulher feliz. Uma mulher lixada, mas uma mulher muitíssimo realizada e, por isso mesmo, muitíssimo feliz!

Também não será o facto de ver o kitsch a invadir a blogosfera, nem o espírito “pidesco”  e revivalista de alguns

“moralistas-cá-do-burgo” que me levará a, sequer, duvidar da minha muitíssimo legítima e genuína felicidade. Posso sentir-me lixada, estar pontualmente lixada, ficar mais do que lixada… mas, infeliz? Nunca!

Necessidade de pedir conselhos? Na! Ainda não encontrei ninguém que me conhecesse melhor do que eu mesma me conheço e os poucos conselhos que tentaram impingir-me, teriam resultado em verdadeiras catástrofes… se os tivesse seguido.

É meia noite. Estou a escrever e a assistir à Gala das Galas, na RTP. Abraço os meus amigos de quatro patas, um por um, e vou à janela da marquise acenar à D. Isa com o pano da loiça.* Volto, a correr, porque me apetece rir um pouco mais. E rio-me mesmo! Não sou, nem nunca fui, mulher de ritos e rituais. De risos, sempre fui!

Gosto das minhas rotinas, mas as celebrações colectivas não são o meu forte e prefiro uma 7up a uma garrafa de champanhe. Bebo uma Cola Zero – também marca branca, do Pingo Doce – e regozijo-me por não ter ido “fazer a festa” fora de casa. Subir, de novo, os quatro andares seria, no mínimo, uma tortura. Escrevo para as outras pessoas; não vivo “por” elas, nem ao sabor do que a elas lhes agrada.

 


Viva 2011!

 

Maria João Brito de Sousa

 

 

* Reparem no requinte e no "glamour"... foi mesmo com o pano da loiça, vulgo; rodilha...

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